As personagens mais icônicas de Aracy Balabanian

Atriz faleceu aos 83 anos no Rio

O Brasil perdeu uma de suas grandes estrelas do teatro e da televisão. Aracy Balabanian faleceu aos 83 anos, A atriz estava internada na Clínica São Vicente, na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela fazia um tratamento contra um câncer de pulmão desde o fim do ano passado.

Filha de imigrantes armênios, Aracy nasceu em 22 de fevereiro de 1940 em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, Aracy percebeu que queria ser atriz quando levada pelas irmãs mais velhas para assistir a uma peça de Carlo Goldoni com a companhia de Maria Della Costa.

Aos 14 anos, contra a vontade do pai, aceitou um convite para Augusto Boal — então diretor do Teatro de Arena — para um teste no Teatro Paulista do Estudante. Iniciava-se aí uma carreira que rendeu uma galeria de personagens marcantes e vamos lembrar abaixo os cinco papéis mais icônicos da atriz na TV.

“Vila Sésamo”

Em 1973. a atriz viveu a personagem Gabriela, no clássico programa infantil “Vila Sésamo”, a versão brasileira de “Sesame Street”. Ela fazia par com Juca (Armando Bógus), e contracenava com bonecos, como o famoso Garibaldo. A personagem era a mãezona, enquanto a Ana Maria de Sônia Braga era a professora brincalhona.

“Que Rei Sou Eu?”

No grande sucesso do horário das sete em 1989, ela viveu a mãe do herói da trama, Jean Pierre (Edson Celulari), verdadeiro herdeiro do trono da Avilan. Quando muito jovem, a camponesa pobre Maria Fromet (vivida por Tania Nardini em flashback) teve um relacionamento com o rei Petrus II que gerou um filho. Para não ser vítima da fúria da rainha, a moça deixou a criança em Avilan e partiu para o exterior, onde se casou com um nobre e mudou de nome. Por uma artimanha do bruxo Ravengar, o mendigo Pixot foi apresentado como o filho perdido do monarca e iniciou um reinado autoritário. Depois de anos sem nenhuma notícia, Maria Fromet retorna ao reino para reencontrar o filho.

Dona Armênia

Buscando inspiração em sua ascendência armênia, Aracy Balabanian compôs a personagem mais famosa de sua carreira. Em “Rainha da Sucata”, novela das oito escrita por Silvio de Abreu em 1990, dona Armênia era uma imigrante da república soviética homônima, mãe superprotetora de três filhos homens, a quem chamava de “filhinhas” por conta de seu português ainda com vícios. O modo de falar de Armênia fez sucesso, assim como o bordão “na chon”, quando ela se referia às suas pretensões de derrubar o prédio do império de Maria do Carmo (Regina Duarte), o que virou uma cômica obsessão da personagem. Segunda a atriz, a personagem tinha um pouco de inspiração em sua mãe e também em uma vizinha fofoqueira e espalhafatosa que ela teve. Dona Armênia voltaria para outra novela do autor, “Deus nos Acuda”, novela das sete em 1992/93.

Filomena Ferreto

A poderosa dona do frigorífico Ferreto na novela “A Próxima Vítima” (também de Silvio de Abreu) era a chefe de uma família de origem italiana, que ela comandava com as mesmas mãos de ferro com que geria os negócios. Encontrava prazer tanto em humilhar sua irmã caçula Carmela, vivida por Yoná Magalhães quanto em subjugar seu marido Eliseu (Gianfrancesco Guarnieri). Também travava um conflito com a irmã Romana (Rosamaria Murtinho), que surgiu no meio da trama e não tinha medo de confrontar a irmã autoritária. Filomena mostrava seu lado doce apenas com a sobrinha Isabela, vivida por Cláudia Ohana. Ajudou a forjar o óbito da outra irmã, Francesca (Tereza Rachel), cujo retorno foi a reviravolta que levou à revelação da identidade do serial killer misterioso da trama. “Tudo na personagem era duro, mas, lá no fundo, era uma manteiga derretida. Também me identifiquei demais com a Filomena porque ela era uma bobona com a sobrinha dela. Eu não tive filhos, mas criei uma sobrinha”, contou Aracy ao Memória Globo.

“Sai de Baixo”

Outra personagem divertidíssima da atriz era a socialite falida Cassandra, do humorístico “Sai de baixo”, que ia ao ar aos domingos na Globo, após o Fantástico, entre 31 de março de 1996 e 31 de março de 2002. A trupe se completava com Vavá (Luis Gustavo) um chefe de família desastrado e o síndico do edifício residencial em que morava, o genro esnobe Caco Antibes (Miguel Falabella), sua filha com Cassandra e esposa de Caco, a carente de massa encefálica Magda (Marisa Orth), Edileuza (Claudia Jimenez), a empregada doméstica cheia de atitude, e Ribamar (Tom Cavalcante), o folgado porteiro do edifício. Com forte influência da “Família Trapo”, o programa era gravado com plateia, no teatro Procópio Ferreira em São Paulo, e a interação dos atores com o público presente foi responsável pelo sucesso de audiência, assim como os frequentes improvisos do elenco.

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