60 anos da estreia dos Beatles – 10 formas como a banda redefiniu o conceito de música popular

Há exatos 60 anos, em 22 de março de 1963, era lançado o álbum “Please Please Me”, a estreia dos Beatles. Sem dúvida um dos melhores discos de estreia do rock, mostrou a banda iniciante com a garra e a ambição que foram determinantes para que eles alcançassem o topo. A história todo mundo já sabe: fizeram um imenso sucesso, tornando-se fenômeno de mídia, quando a mídia ainda engatinhava, e estabeleceram as regras a serem seguidas a partir de então pelas bandas de rock. Aproveitando a data, elencamos 10 maneiras como os garotos de Liverpool redefiniram a cultura pop.

Criaram os primeiros videoclipes de rock

Antigamente, a maioria dos artistas da música tinha suas apresentações filmadas em sets pré-construídos, além de programas de auditório, como o lendário Ed Sullivan (onde os próprios Beatles fizeram história). Mas foi “A Hard Day’s Night”, estreia do Fab Four nos cinemas, que trouxe sequências projetadas para destacar certas músicas. Contudo o quarteto queria levar a ideia de arte e marketing ainda mais longe e filmou seus próprios clipes para ‘Day Tripper’ e ‘We Can Work’. “

Foram esses experimentos de filmes independentes e sem público, centrados em novas canções, que anteviram a era do videoclipe, provando uma das razões por que eles estavam à frente de seu tempo.

Reescreveram as regras dos filmes de rock

Filmes com estrelas do rock não eram novidade quando o The Fab Four surgiu. Ricky Nelson e, sobretudo, Elvis Presley mostraram como podia ser lucrativo encaixar astros da música em tramas bem simplórias, mas que os espectadores compareciam em massa nos cinemas e compravam as trilhas sonoras.

“A Hard Day’s Night”, de 1964, foi além, já que a banda interpretava a si própria, mas em versões ficcionalizadas e intensificadas, desenhando suas personalidades como elas passariam a ser conhecidas (John, o rebelde, Paul o bom moço, Ringo o comediante e George o quieto) e timing cômico. E, claro, a trilha sonora não podia ser melhor.

Tornaram-se ícones fashion, ainda que involuntariamente

O cabelo de mop-top, aquela bota Baba de salto alto logo foi coloquialmente reacendida como “a bota Beatle” porque todo mundo queria usá-la. Inegavelmente, com aquele visual, eles se tornaram um ícone fashion, mesmo que um tanto involuntários. À medida que sua era de “boy band” foi dando lugar à fase mais ambiciosa artisticamente, cada membro começou a adotar seu estilo e aparência distintos, definindo roupas e tendências da moda a cada década.

Mudaram a forma como os discos eram produzidos

Os Beatles se aposentaram das turnês precocemente (1966), o que surpreendeu os fãs e a indústria. Longe da correria das viagens e dos palcos, com a ajuda do produtor e mago sonoro George Martin, a banda usou o estúdio de gravação como um verdadeiro laboratório, encontrando novas maneiras de criar sons nunca antes ouvidos, com recursos risíveis nos dias de hoje, que se acomodariam facilmente na memória de um celular moderno. Entre inversões de faixas dos instrumentos, baterias atenuadas, e instrumentos que não são usados ​​com frequência em gravações pop ocidentais, a vontade de experimentar sonoramente consolidou a maturidade artística da banda, e essa fase influenciou quase todas as gravações de música que você ouve hoje devem à inovação dos Beatles, quer seus criadores saibam ou não.

Mexeram no conceito artístico das capas

Nos primórdios da indústria fonográfica, as capas dos álbuns costumavam se limitar a uma foto do artista acompanhada de algum texto.

A arte de Revolver e a colagem pop para Sgt. Peppers, que se tornou icônica, mudaram as noções sobre o que poderia ser feito para abrigar os discos de vinil. A ousadia no conceito de capa chegou ao ponto de no disco duplo autointitulado The Beatles, de 1968 (mais conhecido como Álbum Branco), recebeu a capa mais radical até então: nada além de uma superfície branca e vazia. Muita coragem para uma banda no auge da popularidade.

Popularizaram o disco conceitual

Durante muito tempo, os álbuns de rock e pop foram considerados uma coleção de singles em potencial. Isso mudou na década de 1950, quando Frank Sinatra começou a lançar discos como “In the Wee Small Hours”, de 1955, em que todas as canções tinham um tom consistente e melancólico. “Pet Sounds” dos Beach Boys, que tinha um quê autobiográfico, já apontava na direção do disco conceitual de rock. Tentando superar os garotos da praia dos EUA (que por sua vez conceberam “Pet Sounds” para rivalizar com “Rubber Soul”) os Beatles lançaram “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, que foi um salto quântico à frente de todos os outros.

Com a banda tocando uma banda que não era ela mesma, com Ringo desempenhando o papel de vocalista principal Billy Shears em ‘With a Little Help From My Friends’ , que destravava uma estranha narrativa costuradas por algumas das melhores músicas gravadas no século XX. Não à toa é considerado o melhor disco de rock/pop de todos os tempos.

Mudaram a avaliação crítica do rock

Quando os Beatles chegaram, era impossível ignorar seu apuro na concepção das canções. Conseguiram a primeira indicação de Álbum do Ano no Grammy (por “Help!”) e foram a primeira banda de rock a ganhar esse prêmio (por “Sgt. Pepper’s”). Se alguns críticos classificavam os Fab Four, assim como a invasão britânica, como moda passageira há 60 anos, esses mesmos críticos musicais ajudaram a manter o legado da banda.

Ajudaram a trazer a vanguarda para o mainstream

Eis que em meio a um disco de música pop você encontra uma faixa como ‘Revolution 9’. A faixa do Álbum Branco (1968) é uma fatia vanguardista de oito minutos de sons diversos, formando uma parede sonora que confundiu muitos e encantou ainda mais.

Uma das influências para que a música dos Beatles tomasse esse rumo foi a musa de Lennon, Yoko Ono, que fez com que o artista desse ainda mais vazão ao que fora experimentado até então, logo apresentando ao mundo gêneros que eles talvez nem conhecessem.

Derrubaram a noção estabelecida de que os lados B eram “músicas menores”

No início da era do rock, singles traziam em seu lado A a música principal, que se tornaria hit, e no lado B aquela música considerada com menos potencial. Claro que os lados A dos Beatles eram grandes sucessos, mas o que dizer de ‘Rain’ (1966) e ‘Don’t Let Me Down’ (1969)?

Redefiniram o que é carreira solo após sair de uma banda

Em 10 de abril de 1970 o fim dos Beatles foi anunciado e o sonho acabou. Mas os membros da banda seguiram produzindo como nunca.

Ringo lançou o primeiro álbum em março de 1970, e “McCartney” de Paul saiu algumas semanas antes do último álbum dos Beatles, “Let It Be”, lançado em maio de 1970. “All Things Must Pass” de George chegou em novembro daquele ano, enquanto o álbum de estreia de John com a Plastic Ono Band desembarcou naquele dezembro.

Os quatro seguiram carreiras sólidas e longevas, mostrando que é possível sobreviver ao fim de uma banda e ainda ter sucesso. Mesmo que essa banda tenha sido os Beatles.

2 comments
  1. Eu acho que os Beatles, foi a melhor banda de todos os tempos, e seus membros, os melhores músicos de todos os tempos.
    Na minha opinião, são inigualáveis.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *